Etecs e Fatecs: passaporte para o mundo do trabalho

 

 

A falta de técnicos no ramo empresarial é apontada como um dos maiores obstáculos para o aumento da produtividade. Entre as apostas para impulsionar a competitividade e a geração de renda, o ensino profissional ganha cada vez mais espaço pela alta absorção de jovens recém-formados no mercado de trabalho

 

Apesar da queda da atividade econômica e do fechamento de postos de trabalho no Brasil, há muitas vagas difíceis de serem preenchidas. Enquanto a taxa de desemprego no País cresce, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 65% das empresas encontram dificuldades para preencher seus quadros devido à falta de gente qualificada.

 

Uma pesquisa divulgada no ano passado pela Fundação Dom Cabral (FDC) mostra que, entre as áreas com maior escassez de pessoas capacitadas, as funções técnicas são mencionadas por 66% dos empresários consultados.

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Governador Geraldo Alckmin durante a inauguração da terceira Etec de Sorocaba. Hoje são 218 Etecs e 65 Fatecs no Estado – Crédito Gilberto Marques

 

Frente a esse cenário, a educação profissional desponta como um dos principais caminhos para impulsionar a geração de emprego e a retomada da atividade econômica. Responsável pela maior rede estadual de ensino profissional gratuito da América Latina, o Governo do Estado de São Paulo implantou 26 Escolas Técnicas (Etecs) e 16 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais desde 2010, chegando a 218 e 65 unidades, respectivamente, atendendo cerca de 285 mil estudantes em mais de 300 municípios.

 

Essa abrangência foi consolidada com o suporte de um estratégico Plano de Expansão do governo, que leva em conta o índice populacional, a vocação regional e o percentual de jovens com Ensino Médio concluído como alguns dos critérios para nortear o crescimento estruturado de unidades. Nesse mesmo período, o orçamento do Centro Paula Souza cresceu significativamente, saltando de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,9 bilhão, permitindo à rede crescer de forma sustentável.

 

A instituição também ampliou seu alcance investindo na Educação a Distância (EaD), com cursos de nível técnico – Administração, Comércio, Secretariado, Eletrônica e Informática –, e a graduação tecnológica em Gestão Empresarial. Outras experiências vêm sendo desenvolvidas para ampliar a oferta em todos os níveis.

Nove em cada dez alunos de Fatecs e quatro em cada cinco de Etecs estão trabalhando em até um ano depois de formados. Pesquisa anual da instituição aponta que a maioria atua na área de formação e com carteira assinada em empresas de grande e médio porte.

 

Outra importante estratégia de inserção no mundo do trabalho é a oferta de cursos rápidos de qualificação. São mais de 200 cursos, que vão de conceitos básicos de Mecânica e Soldagem a Maquiagem e Panificação Artesanal. Em 2014, o total de pessoas atendidas por essa modalidade superou 79 mil, sendo cerca de 30 mil pelo Via Rápida Emprego – programa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação -, do qual o Centro Paula Souza é o maior parceiro.

O Centro Paula Souza é uma autarquia do Governo do Estado de São Paulo, criada em 1969 e vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI). A instituição foi criada como resultado de um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade de implantação gradativa de uma rede de cursos superiores de tecnologia com duração de dois e três anos.

Entrevista com Laura Laganá, diretora-superintendente do Centro Paula Souza

Ensino integrado: a chave da profissionalização
Com mais de 30 anos de experiência na área da educação, Laura Laganá é formada em Licenciatura e Bacharelado em Matemática, com especialização em Planejamento e Gestão da Educação Profissional pela Unicamp. Funcionária de carreira do Centro Paula Souza desde 1982, está em seu terceiro mandato como diretora-superintendente, à frente da maior expansão da rede e da ampliação de parcerias com o setor produtivo. Confira entrevista sobre os principais pontos de sua gestão e os planos para incrementar ainda mais a formação profissional no Estado de São Paulo.

 

Prefeitos&Governantes – Como é o trabalho de diálogo do Centro Paula Souza com o setor produtivo? As empresas são procuradas para ajudar a pensar nos cursos?

Laura Laganá – A interação com o meio empresarial é um dos propósitos do Centro Paula Souza, que tem como prioridade responder às demandas do mercado com formação profissional de qualidade. Por meio de parcerias com a iniciativa privada, órgãos públicos e terceiro setor, trabalhamos na identificação de oportunidades, criação de novos cursos, modelagem de currículos, montagem de laboratórios e capacitação de professores.

 

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Funcionária de carreira do Centro Paula Souza, Laura Laganá está à frente da maior expansão da história da rede e da ampliação de parcerias com o setor produtivo – Crédito: Gastão Guedes


Prefeitos&Governantes –
Quais os atuais desafios do ensino profissional em São Paulo?

Laura Laganá – São muitos, mas podemos destacar pelo menos quatro. O primeiro é a expansão do Ensino a Distância (EaD), hoje uma tendência mundial. Outros dois são a questão da valorização das competências dos professores e o incremento as parcerias com o setor produtivo. Também é importante ampliar a oferta de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, de modo que o aluno saia da escola com dois diplomas. Cada vez mais jovens buscam essa alternativa como forma de facilitar sua inserção no mundo do trabalho. Por isso, trabalhamos para expandir o alcance dessa modalidade até 2018, chegando a 60 mil matrículas. Atualmente, 41 mil jovens cursam a modalidade.

Olho: é importante ampliar a oferta de cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, de modo que o aluno saia da escola com dois diplomas.

Prefeitos&Governantes – Além do ensino integrado, quais são as principais prioridades?

Laura Laganá – Uma das premissas do governador Geraldo Alckmin é apoiar os jovens talentos e incentivá-los a produzir mais e melhor. Com o apoio do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio França, vamos fortalecer os projetos voltados à economia criativa, que reúne profissionais de diversas áreas, como publicidade, moda, design, cultura, gastronomia, tecnologia e software, entre outras. Existem milhares de talentos dentro das Etecs e Fatecs com condições de desenvolver novos produtos e serviços. Além disso, vamos reforçar o papel da nossa agência de inovação, a Inova Paula Souza, com o objetivo de estimular cada vez mais o empreendedorismo como meio de gerar empregos e trazer avanços para a sociedade.

Fonte: Centro Paula Souza

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