Gilberto Natalini fala da importância do evento para os municípios

 

Da Redação

RICARDO IZAR

Vereador Gilberto Natalini – Créditos – Divulgação

 

Gilberto Natalini é um dos vereadores mais atuantes da Câmara Municipal de São Paulo. Em seu quarto mandato como vereador, Natalini trabalha na defesa da Saúde Pública, do Meio Ambiente e Urbanismo, e tem obtido resultados relevantes. Em entrevista exclusiva, ele fala a respeito do seu trabalho e destaca as suas principais conquistas. Confira:

 

Prefeitos&Governantes – Como integrante da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher, o senhor tem se destacado na luta por mais verbas para o SUS. Como o senhor analisa a atual situação da saúde pública na cidade de São Paulo?

Gilberto Natalini – Eu observo que está havendo um desmanche do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de São Paulo e em todo o Brasil, por causa do desfinanciamento e da má qualidade da gestão.  Grande parte da população não está sendo atendida pela saúde pública da capital. Entre 2013 e 2014, o número de consultas médicas feitas pelo SUS paulistano diminuiu em 1,5 milhão. Foram fechadas 30 AMAs e em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de São Paulo faltam médicos. O SUS paulistano está regredindo.

 

Prefeitos&Governantes – Como médico e como vereador que atua em prol de melhorias na Saúde, quais seriam as suas sugestões para melhorar o SUS paulistano?

Gilberto Natalini – Temos que melhorar o orçamento do SUS, esta é a minha sugestão. Faz 10 anos que a tabela do SUS não tem um reajuste de verdade. A grande culpa disso é do governo federal, que está contingenciando, diminuindo as verbas destinadas à Saúde. Existe um rombo no orçamento federal da Saúde de R$ 50 bilhões por ano, esta é a dívida que o governo federal tem com a saúde pública brasileira. Há anos, o governo não cumpre o orçamento da Saúde e este ano o corte vai ser ainda maior. Então, a tendência é piorar. Esse problema está generalizado em todo o país. Porém, com 11 milhões de habitantes e a maior rede de saúde pública do Brasil, a cidade de São Paulo sofre mais.

Nós temos o diagnóstico perfeito do problema, sabemos qual é a solução, só que não temos força política para impor um aumento no aporte de recursos para saúde pública no município de São Paulo. E tem um outro agravante, a atual administração pública da cidade de São Paulo tem um problema ideológico: é contra as organizações sociais da saúde. Ora, mais da metade dos atendimentos da saúde pública na cidade de São Paulo é feita por organizações sociais da saúde e instituições filantrópicas que têm parceria com a Prefeitura para fazer os atendimentos. Então, além da falta de recursos, tem esse problema na relação da Prefeitura com os parceiros da Saúde.

A nossa Comissão de Saúde faz o que pode. Temos feito muitas intervenções, vistorias, audiências públicas, temos lutado contra essa situação. Porém, nós estamos perdendo a guerra porque a insensibilidade dos governos (Federal, Estadual e Municipal) em relação à necessidade de mais recursos para Saúde é muito grande.

 

Prefeitos&Governantes – Nos últimos anos, as mudanças climáticas se tornaram mais evidentes, a mídia em geral deu maior enfoque às questões relacionadas ao meio ambiente e isso resultou numa maior preocupação da sociedade civil e do poder público com a preservação dos recursos naturais. Nesse contexto, desde 2002, o senhor faz parte da organização da Conferência de Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas na Cidade de São Paulo, que acontece anualmente. Quais são os objetivos dessa Conferência? Quais foram as principais conquistas da Conferência?

Gilberto Natalini – Este ano será a 14ª Conferência, é o maior evento ambiental da cidade de São Paulo. Os objetivos da Conferência são múltiplos. O primeiro é reunir os ambientalistas de São Paulo. Quando eu falo ambientalista, considero desde o secretário do Meio Ambiente até a dona de casa do Grajaú que se preocupa com a questão ambiental.

Então, é um encontro que reúne a população em geral, estudantes, gestores públicos, empresários, cientistas, pesquisadores das universidades, políticos, enfim, é um encontro popular. Nos reunimos para discutir temas e buscarmos soluções práticas para os problemas de Sustentabilidade no município de São Paulo. Muitas medidas foram tomadas e leis foram criadas a partir de discussões na nossa Conferência. Por exemplo, a utilização de água de reúso para lavar ruas, praças e monumentos da cidade de São Paulo é uma prática prevista por meio de uma lei de minha autoria, que foi sancionada em 2004. A ideia para essa lei saiu de uma conferência.

 

Prefeitos&Governantes – De lá para cá, o senhor identifica alguma evolução nas discussões e na criação de políticas públicas voltadas para Sustentabilidade na cidade de São Paulo?

Gilberto Natalini – Nos últimos 10 anos houve sim muito avanço. Porém, nos últimos 2 anos houve retrocesso. Todas as conquistas que nós tivemos de 2005 até 2012, começam a ser perdidas em 2013, a partir da mudança de gestão na Prefeitura de São Paulo. A inspeção veicular acabou, o Programa Eco Frota acabou, o plantio de árvores caiu mais de 10 vezes, o Programa de Defesa das Águas e o Córrego Limpo acabaram. Ou seja, com a atual gestão municipal, houve um retrocesso muito grande nas questões ambientais. Isso ocorre porque a atual gestão não tem a preservação do meio ambiente como prioridade.

 

Prefeitos&Governantes – Do ponto de vista social, o senhor acredita que houve evolução, ou seja, a população está mais consciente sobre a importância da preservação do meio ambiente?

Gilberto Natalini – Eu acho que as pessoas estão começando a entender que agredir o meio ambiente é o mesmo que agredir a si mesmo. Eu fiz uma pesquisa que apontou o seguinte: 90% dos entrevistados disseram que têm preocupação com o meio ambiente; 50% disseram que fariam alguma coisa pelo meio ambiente; e 27% disseram que já fizeram na prática alguma coisa pelo meio ambiente.

Esses dados sugerem que o nível de conscientização vem crescendo numa velocidade maior do que a prática de cada um. Ou seja, as pessoas estão ganhando consciência espontaneamente, porém, essa consciência ainda não se transformou em ações práticas.

 

Prefeitos&Governantes – O senhor acredita que o desenvolvimento sustentável  será uma realidade na cidade de São Paulo?

Gilberto Natalini – Será sim porque não haverá outra saída. Ou nós achamos o caminho do desenvolvimento sustentável, ou a cidade vai afundar na poluição do ar, na poluição da água, na falta de água, no calor exorbitante das ilhas de calor. Nós estamos chegando ao limiar, a natureza está nos empurrando para tomarmos juízo. Isso vale principalmente para os governantes que não dão o devido valor à preservação do meio ambiente.

 

Prefeitos&Governantes – Qual é a sua expectativa em relação ao Congresso Brasileiro de Municípios (CBM)?

Gilberto Natalini – Minha expectativa é grande porque os municípios brasileiros estão mergulhados na crise política e econômica, e a única forma de enfrentar essa crise é por meio da união municipalista. Então, o CBM é uma oportunidade para discutir os problemas e apontar as soluções de forma conjunta. Que sejam apontadas as soluções não só para São Paulo, mas também para o país inteiro.

 

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